Você Também Lhes Faziam De Tudo?

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Afirma neste livro, João Miguel, Ator que um dos pilares do que ele chama de A nação a desmemória é o abandono dos derrotados. “A realidade falseada, o descrédito um tanto de esquecimento estratégico. Como se fosse possível sepultar todos os nomes”. Não há dúvida que, como juiz, o que mais me impressionou em cada vítima que conheci não foi tal o terrível sofrimento que expõe no seu testemunho como o alívio imenso por poder mencionar diante a autoridade competente. Falar a respeito do se verificado equivale a fazê-lo real. As expressões realizam certo o que tanto tempo se guardou no coração e pela cabeça, o que nem ao menos se sussurrava às escondidas.

O narrador foi tocado de forma exaustiva, todos os marcos desta longa marcha de frustração e sofrimentos, e observa todos os estilos que ainda estão pendentes de resolver. Explica que as chamadas de atenção de organismos internacionais, como a ONU não serviram pra que o governo anterior, conservador e enraizar ainda em essências franquistas, ocupou o cargo de restabelecer a verdade.

E faz votos, como todos nós fazemos, para que o governo socialista possa surgir a obtê-lo. “Os aviões estavam niveladas e me agazapé no chão, coberto por um cobertor. De repente, senti um golpe robusto nas costas. Fiquei paralisado. Notei que tinha sangue. Quando toda gente se levantou, vi que eu tinha caído em cima da cabeça de uma moça.

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Eu tinha 10 anos, e ela era mais pequena. Uma pequena de 4 ou cinco anos.” Memórias de Alexandre Torrealba continuam vivos oito décadas mais tarde. A cena que relata acontece na avenida de Málaga a Almería, quando dezenas de centenas de pessoas fogem do avanço rebelde. Porque o sete de fevereiro de 1937 havia arrancado sinistro, com Francisco Franco, Adolf Hitler e Benito Mussolini atacando sem piedade população civil durante um dos maiores éxodos do século xx. A capital de málaga, que até sendo assim tinha estado em mãos republicanas, acolhia a milhares de refugiados que atestaban as ruas, provenientes de Antequera e de Ronda, recém tiradas.

Se sabia por experiências de Cádiz, Sevilha, Córdoba e Granada que as tropas rebeldes não tinham condolência com a gente a pé de todas as cidades. E Málaga havia sido um feudo do partido republicano, durante 7 meses depois do golpe de Estado de julho de 36. Em novas cidades haviam tido lugar fuzilamentos centenas, prisões milhares. Os civis que temem por suas vidas têm que escapar na única saída possível, os 175 quilómetros que separam a cidade de Almeria, ainda republicana. Fascistas e nazistas fazem a linha costeira numa arapuca e a fuga numa carnificina.

Será o maior crime de batalha a luta civil espanhola: A Desbandá. Os números deste massacre da andaluzia, pela fuga de Málaga para Almeria, não são conclusivos. Variam de acordo com as muitas pesquisas. Em números redondos ultrapassa os 5.000 falecidos em um rio humano composto por mais de 200.000 refugiados perseguidos por terra, mar e ar. Milhares de mulheres, idosos, meninas, derrotados e atacados, durante o tempo que se limitaram a bater em retirada, sem exibir briga. A desesperada migração muta em um inédito drama humanitário.

A interminável coluna de mulheres com seus meninos e filhos menores, os idosos, a maioria descalços, são bombardeados desde o mar pela artilharia dos navios de cruzeiro rebeldes. Por terra, lhes perseguem as tropas italianas, que os irão ametrallando. Também bombas caem do céu. Este ataque contra a população civil por porção de Franco e seus aliados precede outros bombardeios indiscriminados que são mais famosos, como os de Guernica (Espanha), Barcelona ou Játiva (Valência), porém os supera pela tamanho da matança. Em todos estes casos, os ataques à população civilse fizeram com participação alemã e italiana.

“Alejandrito, no momento em que vierem os aviões se tiras a vala e se as tampas com a manta, o que lhe disse—. E isso eu fiz”, reconhece, em 2018 aquele bebê, prontamente Alexandre, noneganerio. Com apenas um pano como toda a cobertura. Como uma espécie de escudo que não evita a máxima sentença do terror.

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